sábado, março 05, 2005

Porque será?



Perdoe-se-me a selecção da foto mas hoje estou mauzinho. Se eu fosse jornalista, diria que a escolha de fotos tem a ver com o momento ou com o sentido do que se escreve. Mas não... é maldadezinha mesmo...

Há coisas que me causam algum espanto, ou nem por isso. Mas vejamos. Quando opino sobre Freitas do Amaral dizendo:

- Que acho o seu percurso político sinuoso, tortuoso, pouco fiável e pouco condizente com o estatuto político que adquirira anteriormente como presidente do CDS e candidato à Presidência da República;

- Que faço uma avaliação, quiçá precipitada mas é a minha, através da qual as suas atitudes e posicionamento terão mais a ver com questões pessoais do que com convicções políticas;

- Que muito do que ele fez e disse tem mais a ver com uma carga emocional que radica em algumas angústias e decepções de carreira política do que propriamente com a análise desapaixonada de factos reais;

- Que a sua ambição remete indisfarçavelmente para o desejo que tem em se afirmar na cena política, independentemente dos meios a que deita mão;

- Que as suas convenientes, apropriadas e politicamente correctas posições sobre a guerra do Iraque oportunamente assumidas, a serem aplicados à letra e à luz da sua desejável honestidade intelectual nos colocarão num plano ainda mais periférico da cena internacional, sobretudo numa altura em que se assiste a um descongestionamento claro entre Washington, Paris e Berlim;

- Que me parece que a sua nomeação como MNE tem a ver mais com o pagamento de um favor do que com mérito, deixando mesmo alguma possibilidade de se resvalar para um plano venal da coisa.

... porque será que me dizem que Freitas do Amaral é um excelente professor de Direito, editou alguns livros e escreveu uma peça ou duas de teatro?

Fico com a sensação que eu poderia muito bem ser convidado para ministro da saúde. Não percebo nada daquilo, mas até sou um excelente técnico de protecção fitossanitária, com trabalhos publicados sobre a ferrugem do cafezeiro nos Camarões ou sobre a aplicação de fitofármacos em ultra baixo volume no algodoeiro no Egipto. E, por acaso, até já escrevi uma peça de teatro. Não foi publicada porque se calhar não tinha graça por aí além nem conheço nenhuma editora.

Mas, como dizia no início deste post, mais do que a nomeação de Freitas do Amaral para MNE o que verdadeiramente me espanta é o argumentário justificativo da sua nomeação por parte de pessoas de QI insuspeito.