segunda-feira, agosto 22, 2016

Havia de ser connosco...



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Uma breve nota para registar que vi o espectáculo de encerramento dos JO do Rio. Não há como ficar indiferente à beleza, alegria e poesia em estado puro que corre nas veias daquela gente. Mas admirei ainda o respeito que a organização revelou pela tradição cultural do país e, de maneira superior, o aliou à beleza e a um insuperável sentido estético. Aquele “Mulher Rendeira” (que não ouvia há tantos anos) configurando a tradição da mulher da renda de bilros, achei simplesmente uma obra-prima.

No fim lembrei-me que seria injusto se não acreditasse que os portugueses são capazes de fazer coisas bonitas também. Aliás, viu-se na Expo. O problema é que corremos sempre o risco de resvalar naquele gene estranho que muita gente possui e alimenta ciosamente, em pleno primeiro quartel do século XXI, e que normalmente nos concede uma espécie de inalienável "pedigree" e nos atira para uma abominável parolice, caldeada num estranho complexo. Daí que num espectáculo como o de ontem, se fosse em Portugal bem poderia acontecer que tudo caísse nos “capitães de Abril, na censura, colonialismo, liberdade, cravos vermelhos, Pide", com o Zeca Afonso em música de fundo a cantar o “eles comem tudo”. Mais ou menos em consonância com os tempos que atravessamos, com a geringonça a chefe de orquestra.






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