domingo, outubro 22, 2017

A boa onda



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Receio que as medidas emanadas do último conselho de ministros extraordinário venham a constituir um caldo balsâmico para o inominável desempenho da geringonça. De repente, pressinto uma espécie de boa onda, para usar uma expressão brasileira. As medidas são boas, a oposição saúda e Costa volta a afivelar aquele sorriso alarve que é a sua imagem de marca.

Era bom que as pessoas se congratulem com a acção que está a ser tomada mas que não esqueçam que ela só foi possível devido ao enquadramento e ao sentimento que Marcelo conseguiu imprimir à situação e que a boa onda, por muito boa que seja, não desculpa a desorganização, incúria, ineficiência e inaceitáveis e despudoradas afirmações dos principais intervenientes da tragédia.

Portugal é um pais em que a bonomia é uma espécie de “middle name”. Tudo o que não tenha Nogeiras, Avoilas, Arménios, Catarinas, Jerónimos e quejandos por detrás, dilui-se na boa vontade e curta memória dos portugueses. Só por isso, receio esta vaga de optimismo que começa sentir-se, como se as medidas agora tomadas fossem uma espécie de assisada medida governamental, quando ela não é senão a resultante de uma das mais vergonhosas facetas da nossa história recente. E à qual a geringonça ficará definitivamente ligada.


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